domingo, 22 de maio de 2016

Mesmo Após 25 Anos, Fatal Fury Ainda é um Game Essencial

Eu sempre gostei de Fatal Fury, mas nunca consegui ser um fã da série. Isso porque eu sempre sofri para vencer as lutas no fliperama. O game era apelativo demais. A máquina batia na gente sem dó. E não importava o quanto você fosse bom, chegar ao final sem gastar mais de um ficha era praticamente impossível. Lançado em 1991 quase que simultaneamente para Arcade e Neo Geo, o game foi adaptado para Super Nintendo um ano depois a fim de combater a popularidade do aclamado Street Fighter II. No final das contas, ele não conseguiu, mas Fatal Fury se consagrou como um game de luta decente frente as milhões de cópias de Street Fighter que saíram durante a década de 90.

O game é simples ao extremo. A história? Um mero pretexto para colocar dois personagens em um combate mortal... Mas quem ligava pra isso em meados de 91? Diferente de hoje que os caras querem explicar tudo e até as coisas mais insignificantes, um bom game de luta era feito com uma história fraca, dois boys magia, golpes impressionantes e aquele vilão que nem era forte, mas só pelo visual te amedrontava a ponto de você perder o controle total da situação.

E o primeiro Fatal Fury tinha quase tudo isso. É claro, ele foi criado por ninguém menos que Takashi Nishiyama, o mesmo criador do primeiro e estranho Street Fighter, lançado alguns anos antes, em 1987. Talvez seja esse motivo da mecânica do game ser bastante semelhante ao seu maior rival.


O primeiro Fatal Fury trazia o começo da saga dos irmãos Bogard. Terry e Andy tiveram seu pai adotivo assassinado por Gesse Howard, um mafioso que controlava uma cidade fictícia chamada South Town, quando ambos ainda eram uns pimpolhos. O trauma marcou a vida dos irmãos a ponto dos dois virarem lutadores só para vingar a morte do papai. O inesperado acontece quando o vilão abre um torneio chamado King Of Fighters onde ele anuncia que quem chegar ao final do torneio, lutará com ele. Essa mostrou-se a oportunidade perfeita de Terry e Andy acabarem com a raça do sujeito. Ah, o japonês Joe Higashi, amigo dos irmãos, também entra no torneio para ajudá-los em sua vingança.

Resumindo: você escolhe entre Terry, Andy e Joe e luta contra quatro lutadores no torneio mais outros três, que podemos chamar de "chefões", para que enfim possamos lutar contra o supremo Gesse Howard. Em batalhas de dois rounds, o game possibilitava ataques especiais bem dinâmicos e uma técnica que permitia dividir o cenário em dois planos, o que era inovador para a época. Falando em cenário, os gráficos dessa estréia eram bem medianos. Mesmo para a época, o design não entregava nada além do obrigatório quando falamos em games de luta. Mas há algumas ressalvas, como o fato dos cenários sofrerem alterações como chover ou anoitecer de partida para partida.


Ta aí um game obrigatório na lista de quem curte os clássicos de luta, principalmente para os fãs mais enlouquecidos pela franquia The King Of Fighters. Fatal Fury é um game muito carismático. Uma pena que a SNK tenha sumido com a franquia original.

sábado, 2 de abril de 2016

Final Fantasy I - Quando a Fantasia Realmente Começa


Quem nunca ouviu falar da franquia Final Fantasy? Uma das série de games mais influentes e bem sucedidas de todos os tempos teve sua origem que remonta aos saudosos anos 80. Mas apesar do sucesso avassalador do sétimo game da franquia, Final Fantasy já inovava desde sua primeira empreitada. Sim, o primeiro game é emblemático e pouco conhecido, entretanto, é uma peça rara na coleção daqueles que curtem a série Final Fantasy de forma casual. Então, está na hora de você desenterrar o seu Nintendinho lá do quintal e se preparar para uma aventura intimista, divertida e super viciante.

Lançado em 1987, Final Fantasy já é conhecido na história dos videogames em geral por livrar a Square da falência. Resumindo bem: Final Fantasy foi para a Square o que o Mario foi para a Nintendo. Até o próprio nome do projeto já é uma dica do real significado que o game tinha para a empresa em meados da década de 80. Fantasia Final... mais do que óbvio, essa era a última cartada da japonesa no mercado de games depois de uma enxurrada de títulos caros e sem retorno financeiro.

A prova que o primeiro Final Fantasy foi tão bem sucedido é que mesmo depois de mais de 30 anos de seu lançamento original, o game recebeu inúmeras versões e ports que foram responsáveis por atualizar e apresentar sua magnifica inovação para toda uma nova geração de pimpolhos que surgiram no decorrer dos anos. E o maior marco de FF talvez seja esse mesmo: a inovação. O game continha elementos típicos de um RPG de mesa tradicional, porém, totalmente convertido para o mundo dos games eletrônicos. Os magos, cavaleiros, reinos, batalhas, tesouros. Tudo o que compõem o universo dos RPGs estavam guardados dentro de um cartucho. Então, foi só uma questão de tempo para que FF conquistasse o gosto do público e se tornasse uma febre gamer, principalmente no meio do público nerd.

A conquista do oriente foi rápido, mas reza a lenda que FF não conseguiu conquistar a terra do tio Sam ao mesmo tempo. Isso porque o game sofreu atrasos de meses e até anos. Para comprovar o caso, não é à toa que FF II nunca foi lançado oficialmente por aqui, mas sim através de inúmeras coletâneas que apareceram no Playstation, Game Boy Advance e PSP.

Diferente de outros games da franquia, a história do primeiro FF é morna e, sem receio, posso até dizer que é fraca demais. Porém somos obrigados a dar um desconto nesse caso devido a sua época de lançamento, limitação do hardware original e investimento. Coisa que só vamos ver alguma mudança após o FF V. Por isso é importante dizer que sempre quando uma pessoa quer começar a conhecer a série, o mais recomendável é justamente investir nesses primeiros títulos que são os mais fraquinhos. Porque é bem provável que você vá odiá-los após ter jogado o VII em diante.

Em um mundo coberto de trevas, onde os mares se agitam e a terra apodrece, a profecia espera a chegada de quatro jovens misteriosos que carregam quatro cristais capazes restaurar a paz daquele mundo. 

Hoje em dia, um game com um enredo assim soaria ridículo e ultrapassado. E o mais interessante é que o tempo inteiro esse primeiro volume da saga parece funcionar mais como um tutorial a todos aqueles que decidirão compartilhar o maravilhoso mundo da franquia. O enredo não transmite tanta emoção, que é completamente substituída pela adrenalina causada pelas dificuldade das batalhas e o sistema de customização, que é simplesmente viciante.

Em falar em customização, o que seria de um RPG sem poder dar ao jogador a chance de fazer o que bem quisesse, mesmo que de maneira limitada? E o primeiro FF se preocupa em seguir e apresentar essa tendência, que para época era quase impossível de ser vista no mundo dos games. Pra começar, você tem a oportunidade de montar sua equipe com quatro personagens de categorias diferentes. Existe o guerreiro, o mago negro e branco, o ladrão e assim por diante. Cada um com suas vantagens e desvantagens muito bem delineadas e perceptíveis em todo o gameplay. Obviamente o segredo consiste em formar uma equipe bem equilibrada. Por isso, tudo fica mais fácil quando se tem um personagem capaz de ter o poder de cura, outro que seja mais rápido e até um que seja de todos o mais forte.
Os personagens que podem compor a sua equipe. 
O nome deles você também tem a oportunidade de escolher. Assim como suas armas e o upgrade que você achar melhor realizar. Tudo através de um sistema justo de moedas conquistadas durante as batalhas.

Os personagens viajam de reinos em reinos solucionando puzzles e ajudando os moradores. Na cidade de cada reino existe um dormitório, que é responsável por recuperar toda a energia dos HPs (vida) e dos MPs (magia) em troca de uma boa grana. Existe também o mago que ressuscita os membros da equipe que morreram no caminho, além dos tradicionais locais de venda de poções e upgrades das armas e magias.

Se destaca quem consegue subir seus personagens de níveis e se manter atualizado com os itens e magias vendidos em cada cidade. 

Os inimigos variam desde elfos e anões até serpentes e tarantulas gigantes. Todos fieis ao típico cenário medieval que é a proposta do volume. Mas cuidado! Um deslize causando movimentos errados em batalhas com uma quantidade enorme de inimigos pode ser o fim da sua equipe. Os chefões de cada dungeon também não estão lá para brincadeira. Além de super resistentes, seus ataques podem causar um dano considerável àquele personagem que não estiver bem equipado e preparado para o confronto.

Cena de batalha.

domingo, 24 de janeiro de 2016

Nothing Has Changed e a Impossível Missão de Compilar Uma Obra Eterna


Nothing Has Changed é aquela típica coletânea que um artista lança no final de carreira: cheia de qualidade por um lado e repleta de defeitos por outro. Principalmente se a carreira for de um músico tão espetacular quanto David Bowie. Não estou dizendo que a coletânea é fraca, muito pelo contrário, o grande problema de Nothing Has Changed é justamente ter de fazer o impossível ao compactar uma carreira tão frutífera de 50 anos em apenas 3 CD's com cerca de 20 músicas.

Com isso temos um punhado das canções mais marcantes do músico, que muitas vezes não são as mais populares de público. Para cada álbum, a coletânea traz 2 ou 3 músicas editadas ou naquelas versões de rádio, onde só toca a primeira estrofe e o refrão. Eu particularmente detesto isso, porque têm muita música que o instrumental fala por si só, como é o caso da clássica "Heroes", originalmente com mais de 6 minutos, mas aqui reduzida a míseros 3 minutos e meio. Simplesmente brochante para quem conhece a versão de álbum.

Mas David Bowie é tão sensacional que até em coletânea ele faz questão de trazer novidades. Apesar dos defeitos acima citados que, na verdade, fazem parte da maioria das coletâneas lançadas, o álbum ainda impressiona por trazer o single "Sue (Or In a Season Of Crime)", um jazz-pop incrivelmente espetacular, dividido em camadas e com uma letra pra lá de instigante. A canção parece valer todo o CD.


Outra qualidade do álbum é que mesmo tendo poucas canções de cada projeto do cantor, se você já conhece todas, ainda vai se surpreender ao ouvir cada uma novamente, pois muitas estão com versões modificadas por remixes super interessantes que foram lançados anteriormente, mas não se popularizaram. Por isso, ouvir canções como "Seven" e "Hallo Spaceboy" serão uma nova descoberta.

Quer mais uma novidade interessante do projeto? Com certeza você já deve ter ouvido falar do curioso álbum Toy. Não? Relaxa, esse disco nunca foi lançado oficialmente por Bowie. Ele foi gravado em 2001, entre os discos Heathen e Reality, mas que por motivos obscuros nunca chegou a ver a luz do dia. O álbum só caiu no conhecimento da galera quando foi lançado 10 anos depois... E detalhe: pela internet.

Aproveitando essa vibe que tudo é cool, o cantor decidiu lançar algumas das melhores músicas do projeto no disco. "Let Me Sleep Beside You", "You Turn The Drive" e "Shadow Man" são três canções que fariam parte de Toy. Além das musicas já conhecidas de vasta sua discografia, o CD também traz clássicos como "Dancing In The Street", aquele sensacional dueto com Mick Jagger e "Under Pressure", uma das melhores músicas do Queen.




O álbum foi lançado em várias versões: a de luxo contém 3 CDs no qual as músicas estão na ordem cronológica reversa e a de 2 CDs compila as canções de seu início de carreira até os dias atuais. Há também a versão em vinil com dois discos. Super recomendado!!!

M.I.A Lança Borders Para Mandar o Recado

Em uma época em que consumimos músicas que ignoram completamente a realidade em que vivemos, é extremamente interessante dar atenção a artistas que vão contra a maré. Esse é o caso da rapper britânica M.I.A, que lançou a estilosa "Borders" como uma crítica ao governo com relação ao problema dos refugiados.

No vídeo, M.I.A consegue denunciar bem a triste e real situação das pessoas que estão fugindo de seus países devido a guerra, fome e condições de vida precárias. São cercas perigosas, embarcações lotadas de pessoas. Os perigos são infinitos para cruzar a fronteira. E é justamente isso que a artista aborda no clipe, cuja produção ficou espetacular.


A música estará no seu quinto álbum de estúdio, intitulado "Matahdatah", com lançamento previsto para esse ano.